Tudo começou em 1914, com a chegada ao Brasil do japonês Mitsuyo Maeda. Especialista nas artes marciais
do Oriente, ele vinha de uma turnê pela Américas do Norte e Central, onde apresentou-se pela primeira vez no
continente – o judô e o jiu-jitsu. Mais conhecido pelo apelido Conde Koma, Maeda fixou residência em Belém
do Pará, como adido do cônsul do Japão, mas nunca deixou de ensinar as lutas em que era mestre. Um de seus
alunos, Carlos Gracie, tinha um irmão franzino e de saúde frágil, chamado Hélio, que acabou criando uma
técnica própria, baseada em alavancas – golpes que usam todo o peso do corpo (o seu e o do adversário).
“Funcion como o macaco de trocar pneu. Vinte homens talvez consigam erguer um carro, mas um macaco faz
o serviço com mais técnica e menos força”, diz Rorion Gracie, filho de Hélio e instrutor de jiu-jitsu em
Los Angeles. Hélio, que hoje tem 89 anos e ainda luta, constatou que o sistema funcionava melhor ainda no
chão, onde o peso do corpo atingia sua força máxima. Nessa dupla estratégia – privilegiar as alavancas e levar
a luta ao solo – está sua grande contribuição à luta original, possibilitando que um lutador mais fraco vença
oponentes pesados. Foi isso que deslumbrou fãs de todo o planeta quando Royce Gracie, outro filho de Hélio,
com apenas 77 quilos, derrotou Ken Shamrock, de 95 quilos, no Campeonato Mundial de Vale-Tudo de 1993.
A partir daí, o estilo tornou-se cada vez mais popular, apelidado de BJJ (Brazilian Jiu Jitsu) e praticado em mais de 250 academias só nos Estados Unidos onde, este ano, o livro Brazilian Jiu-Jitsu Theory and Technique escrito por Royler e Renzo Gracie, encabeçou a lista de mais vendidos sobre artes marciais.

O Jiu-jítsu, significa "Arte Suave" e é uma arte marcial japonesa que utiliza como principais técnicas golpes de
alavancas, torções e pressões para derrubar e dominar um oponente.

Basicamente, no jujitsu, usa-se a força (própria e, quando possível, do próprio adversário) em alavancas, o que
possibilita que um lutador, mesmo sendo menor que o oponente, consiga vencer. No chão, com as técnicas de
estrangulamento e pressão sobre articulações, é possível submeter o adversário fazendo-o desistir da luta
(competitivamente), ou (em luta real) fazendo-o desmaiar ou quebrando-lhe uma articulação.